sábado, 29 de agosto de 2015

Poderia ser diferente...

Poderia ser diferente. Poderia haver mais tranquilidade, estabilidade e paz de espírito em nosso cotidiano. Poderíamos estar mais realizados, mais bem preparados, estudados, grandes conquistadores de bens materiais e de sonhos, que ainda não atingimos, ou adquirimos. 
Poderíamos não ter sofrido tanto, perdido tanto, amado tanto pessoas que não estão mais aqui, neste plano, ou em nossas vidas. 
Poderia ter dado certo o que almejamos com a ardência de nossas ansiedades, sobre o que fizemos planos, estimamos, cuidamos. Mas não. Nem tudo aconteceu, ou melhor, outros acontecimentos nos atropelaram no meio dos caminhos dos nossos sonhos. 
Poderia ser diferente, mas não é. O que se tem é o real, palpável, certo. Os problemas estão aí, cutucando; as feridas, ainda ardem, e as postergações do que desejamos realizar, permanecem. 
Mas te digo uma coisa: viva como se sua vida já fosse tudo aquilo que sempre desejou; faça cada dia um pouco, e o pouco se tornará muito. Sorria, mesmo querendo chorar. E grite, quando não mais aguentar. 
E nunca, mas nunca mesmo, desanime de vez. Um pouquinho só, de vez em quando. E então, esqueça do que há de ruim e problemático, fazendo o que melhor sabe fazer: continuando a viver, de cabeça erguida e coração limpo. 

domingo, 3 de maio de 2015

Leia até o final, não é balela de autoajuda. É autopreservação

Você merece mais uma chance.
Você precisa de mais de um amigo de verdade.
Você não precisa de mais aborrecimentos do que já tem.
Você pode fazer o que quiser.
Você tem o poder de fazer acontecer.
Você almeja uma vida de sonhos.
Você é melhor do que pensa ser, é maior do que supõe, é divino em sua totalidade, só não sabe disso ainda.

Gostou de ouvir tudo isso? Ótimo, mas a verdade pode não ser tão plana assim.

Você merece mais uma chance. Sim, mas não se iluda. Nem sempre você terá mais de uma. Agarre-a e segure-a assim que ela apontar no horizonte.
Você precisa de mais de um amigo de verdade. Seria o melhor dos mundos ter mais amigos do que familiares, porém, a vida pode ter te dado um ou nenhum amigo. Por isso, seja o melhor ser humano que puder ser, então terá grandes chances de inspirar os outros a serem seus amigos.
Você não precisa de mais aborrecimentos do que já tem, mas eles virão aos montes, te assombrar, te aporrinhar, te provar. Não hesite, dê-lhes um golpe só. Não dramatize nem faça-os maiores. Outros virão, alguns grandes, outros pequenos; dê atenção somente aos que colocarem a sua vida em risco. O resto, mate no ninho.
Você pode fazer o que quiser. Em parte... Dentro das limitações que a vida impõe. Não adianta querer abraçar o mundo, ele não será seu por completo. Concentre-se nos poderes e motivações que estão ao seu alcance. Fora disso, não viaje, pois a queda será ainda mais dolorida.
Você tem o poder de fazer acontecer. De fato, você tem o poder de fazer acontecer, tanto para o bem, quanto para o mal. A afirmação "cuidado com o que deseja" é realmente verdadeira. Você projetará o objeto de seu querer, e provocará reações no universo, nas energias que se condensam em forma de pensamentos, acontecimentos. Cuidado, não provoque o universo projetando coisas que lhe são indesejáveis, ou que você não entende. Saiba o que quer, antes de decretar ao universo. Depois, não reclame se não receber o que queria...
Você almeja uma vida de sonhos? Incrível, fantástico e mágico, se puder colocá-los em prática. Poupe, faça sacrifícios, sofra um pouco, pois sonhos não caem do céu. Garanto, a recompensa será maravilhosa.
Com relação a ser melhor do que pensa ser, maior do que supõe e divino em sua totalidade, o que você acha? Sim, simplesmente sim. Saiba deste fato, tome-o como seu, incorpore-o. E faça por merecer!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um estranho na própria pele?

Nada mais te surpreende?
Tudo parece desconexo?
O coração não bate forte por mais nada, ninguém?
O mundo é um lugar inóspito e estranho?
Acontecimentos alheios não são o que você desejava, imaginava ou gostaria? Ou não são compatíveis com os seus objetivos?
A vida te trouxe alguma grande decepção, tristeza, perda nada bem-vinda?
Sim, pois você é humano (a). Mas, acima de tudo, é um espírito que está se moldando, sofrendo, querendo, esperando. Está aqui, portanto, faz parte não gostar de muitos fatos e momentos, nem se sentir bem em sua pele, ou neste plano.
Porque tudo é passageiro, efêmero. E você, não, você é eterno, luz divina, pedaço dos céus, emprestado por um tempo...
Tem coisas ruins acontecendo fora ou dentro de seu íntimo?
Infelizmente sim; faz parte, enquanto estiver longe de sua verdadeira casa. Aguente firme, que as pausas boas virão, em meio à sua jornada.

Enquanto isso, em sua estadia por aqui, desejo que seja feliz, com o que tem e com o que é. Com o seu real, admirável e corajoso... espírito. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

40 anos, a idade da águia

Para mim, os 40 anos representam a idade da águia. Renovar-se dolorosamente pode trazer uma emoção transformadora, de libertação espiritual sem precedentes. Por isso, esse animal belíssimo e inspirador pode ser uma metáfora mais que apropriada para ilustrar este momento na vida da mulher. Perder o seu bico, unhas e trocar as penas, para alçar um voo único e de renascimento total.

Quantas vezes já não destruímos nossos bicos ao dizer coisas que não queríamos, cometendo erros crassos, ou, ainda pior, destruímos nossa força de comunicação não dizendo, apenas aceitando a palavra que nos foi dita, a atitude do outro e a expressão do mundo ao nosso redor? Inúmeras vezes nossas unhas também nos foram arrancadas pela vida, e tivemos que inventar outros meios de agarrarmos o que quer que fosse, felicidade, respeito, equilíbrio, sabedoria, amizade. E quantas penas não arrancamos de nós mesmas como ervas daninhas, erradicando do peito emoções maléficas, sentimentos angustiantes ou repressores; rancores, amores, dores. Todas nós já nos transformamos, e não apenas uma vez. Ainda assim, nesta idade, nesta época em que o espírito está maduro, pronto e absolutamente jovem (sim, como não?) para alçar um novo voo, estonteante e arrebatador, após toda a dor e experiência que vivenciou, o instinto é mais forte do que qualquer outro. Nunca haverá novamente o mesmo desejo incontrolável de voar com um novo eu: bico, unhas e penas completamente renovados, coração e alma plenos de uma insaciável coragem e bravura de viver novamente, ainda e sempre. Se você chegou aos 40, parabéns, sua transformação já começou. 

O outro lado da águia, depois da transformação

A mulher de 40 é aquela que já não aceita mais ir além de seus limites. Ao mesmo tempo, ela os expande, se lhe seduzirem propriamente. Se derem uma amostra de que podem valer a pena. Já aqueles limites necessários para o seu bem-estar, que antes ela considerava desrespeitar, não o faz mais. Não, ela não tem mais essa elasticidade... ela tem a elasticidade do viver bem. De se respeitar, doe a quem doer, de fazer as coisas que lhe trazem bem. Porque ela carrega as cicatrizes dos limites ultrapassados, das decepções engavetadas, dos sorrisos falsos de amizades
quebradas, e dos amores amargos com gosto de partida.

Essa mulher é como um café forte, encorpado: tem um gosto inigualável, que pode viciar. Tanto o seu sabor quanto a sua textura estão no ponto certo, deixam um rastro gostoso na boca, e, assim como a deliciosa bebida, quando fica pronta, torna-se irresistível, e todos querem um pouco, invariavelmente.  

Contudo, há também um lado obscuro e nunca revelado, sobre quantos esqueletos uma mulher madura pode guardar no armário. Uma de 40 tem esqueletos dos vinte e dos trinta. Especialmente dos 30, pois, quanto mais jovem somos, menos guardamos coisas, menos acumulamos mágoas, sofrimentos ou tralhas... Com o passar do tempo, nossos armários ficam cheios, se não prestarmos atenção. Os esqueletos nos assombram. Então, chegam os 40 e retrocedemos: queremos os vinte de volta e desejamos ardentemente tirar os esqueletos do armário. Ansiamos por novidades que tragam, literalmente, boas novas. Nada de mimar tristezas que já se foram, dar a mão ao que nos deprimia, tomar como nossas as dores e lamúrias de outros (ainda que queridos), ou de se corroer com pequenas coisas. Nada de elaborar neuras, de querer de volta quem já se foi (vivo ou morto), de reclamar do passado, do porquê e como foi daquele jeito, e tampouco, de ser menos feliz.

Não temos tempo, precisamos ser felizes aos 40. Agora, seja com estrias, celulites, algumas rugas, talvez certos tratamentos de saúde e uma considerável bagagem de momentos vividos, bons e ruins. Mas... com a vitalidade e frescor da adolescência, acrescidos da garra de uma loba conquistadora que deseja e irá realizar um milhão de desejos.

Um brinde aos 40! E um voo rasante, emocionante, de tirar o fôlego para você!


                                                   "Águia a voar": FundosAnimais.com.


domingo, 14 de dezembro de 2014

Não tenho espaço

Não tenho mais espaço... Para ouvir músicas das quais não gosto. Para seguir caminhos que não me atraem. Para executar atividades indesejáveis, que já fui obrigada a executar.  Para criar laços frágeis que não irão durar. Para ser quem não quero ser.

Já não tenho mais espaço para reclamações infundadas, fúteis ou tolas. Para pessoas que não se valorizam, que não sabem o que tem de precioso em suas mãos e passam a vida murmurando discursos derrotistas.

Não tenho mais espaço nem tempo a perder, preocupando-me com o que as pessoas pensam, sentem e falam ao meu respeito. Elas continuarão a falar, julgar e rotular, independentemente do que eu sinta. Só quero o respeito alheio. Por este, brigo com unhas e dentes.

Não tenho mais espaço para armazenar questões mal resolvidas, discussões sem solução, lágrimas que ficaram para trás. Quero, sim, seguir em frente com as questões bem resolvidas, discutir e brigar por aquilo que tiver valor, e chorar pelo momento, e não pelo que já passou.

Não tenho mais espaço para mastigar rusgas de amizades, aceitar infantilidades de outros, muito menos de ficar perto de quem não saiba, verdadeiramente, qual é o sentido da amizade.

Não tenho mais espaço para justificar minhas próprias ações a quem não as entenda, perdendo a voz tentando alcançar o outro. Também não quero perder a voz sendo eu mesma. Aqueles que tiverem o coração aberto, hão de me escutar.

Não tenho mais espaço para inventar talentos que não possuo, mascarar ações que não fazem parte de mim, ou me virar em três para, simplesmente, contentar alguém inalcançável.

Não tenho mais espaço para ser a psicóloga do mundo. Não quero entendê-lo, fazê-lo meu algoz, ou, tampouco, um lugar infernal de emoções controladoras. O espaço que tenho é para ser uma contempladora e viajante dele, enfeitando-o com meus talentos, contribuindo com fraternidade e amor incondicionais.  

Não tenho mais espaço para ir a lugares que não me acrescentarão, participar de conversas que não dizem nada, estudar assuntos que nunca vou acessar, absorver ou utilizar.

Não tenho mais espaço para o descartável, efêmero, superficial, monótono, soberbo, arrogante.

Não tenho mais espaço para acumular conceitos e atitudes infundadas ou impostas impiedosamente, em meus espaços já ocupados pelos meus belos sonhos, ensinamentos úteis e preferências pessoais.  

Por fim, todos os meus espaços são destinados ao melhor de TUDO, ao TODO sensacional, ao show diário da vida, à ilimitada fonte de recursos divinos que todos temos bem ao nosso alcance: amor, amizade, otimismo, beleza, perseverança, alegria, força, resiliência e tantos outros, que você sabe bem quais são.

E quanto a você, está ficando sem espaço também? Vamos lá, não é tão difícil assim: pare, pense, remova e reorganize os seus espaços. Fique com folgas agradáveis, deixe o ar entrar, e seja mais feliz, mais inteiro e solto, com todos os espaços que forem interessantes, saudáveis e eficazes para sua vida ficar realmente... espaçosa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Mulheres maduras: Relacionamento-novidade

Não há nada melhor do que uma novidade. Uma novidade fresca, linda, jovem, e com um futuro promissor.
Uma novidade que se espalha, se deleita, que brilha os olhos da gente.
Adoramos o barulho do papel de presente, arrebentar a fita e abrir logo para saber a novidade que tem nele. Abrir o presente, e com ele, a maravilhosa surpresa que está prestes a ser nossa.
Pois bem, relacionamento também deveria ser assim. Deveria trazer o frescor de uma novidade, ser cheiroso como um perfume novo, cheio de brilho como uma joia nova que encanta.
O relacionamento é uma novidade que se tornou usada. Ficou um pouco gasta, o brilho está opaco, o aroma, um pouco fraco.
Mas aquele delicioso sabor de novidade também temperou este amor, também fez o coração pulsar como um presente incrível, nos fez felizes demais, repletas de esperança, júbilo e alegria, como uma linda e charmosa novidade. Um dia, também abrimos nosso relacionamento como um presente, arrancando a fita colorida e exuberante, para descobrir que o que existia dentro da caixa era ainda melhor do que podíamos imaginar.
Então, a novidade começou, continuou e acabou. Tornou-se rotina, cotidiano, normal, ficou jogada de lado e perdeu suas propriedades maravilhosas e rejuvenescedoras. 
Ok, não é o fim do mundo. É perfeitamente possível ressuscitar a novidade. É um esforço mais que válido. É a cartada estratégica.  
Pegue o seu relacionamento, coloque-o em uma caixa enorme e absurdamente enfeitada, e deixo-o lá dentro. Retoque o perfume dele, coloque-o em roupas novas, faça peripécias com ele. Com o seu relacionamento e com o seu amado!! 
A novidade está na cabeça e no coração. Está no carinho dado, que sempre é novidade. Está no riso e no companheirismo, na paixão e na vontade. 
Qualquer coisa pode ser novidade, mas um relacionamento jamais será qualquer coisa. É muito mais que novidade, é permanência, compromisso, troca e cumplicidade. É a vida da gente.
Quer novidade? Compre um presente para lá de lindo e festivo para você.
Mas nunca, nunca mesmo, abandone o seu verdadeiro presente, que é ter o relacionamento pelo qual você lutou e que, acima de tudo, merece!
Entendeu o truque do relacionamento-novidade? Então agora corre comprar o seu presente-novidade! 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Esses dias ensolarados

Esses dias ensolarados me trazem doces lembranças de infância.
Fazem-me lembrar dos meus dias no pesqueiro que tínhamos, do cheiro do mato e do barulho do rio no fundo. Esses dias ensolarados eram a moldura daquela época.
Lembro-me do silêncio inigualável daquele lugar, do vento calmo atravessando a propriedade, dos pés de bananeira, de laranja e de goiaba.
Lembro da rede que colocávamos entre árvores no meio da sombra que elas proporcionavam. A vida era fácil e fluída, e o sol permeava entre as folhas, tão jovem, inocente e cálido, assim como eu.
Eu me lembro de meu pai calçando sandálias de couro e usando chapéu de palha, sempre trabalhando em algo, inventando alguma coisa, naquele lugar que ele amava, dois terrenos em um, uma casa enorme, bem arejada. Tínhamos cachorros que eram tesouros que pertenciam àquele lugar. Eles comemoravam nossa chegada; eram filhos de todos que ali permaneciam, moradores ou visitantes. Dotados de amor incondicional... No pesqueiro, naqueles dias ensolarados... nosso pequeno mundo.
Lembro das tranças que usava. Das esperanças de coração de criança: ir bem na escola, conseguir agradar à minha mãe, ser mimada pelas minhas irmãs. Quem sabe um dia ser aeromoça, ou melhor ainda: escritora. Sonhos de viajar o mundo, fosse no ar, ou fosse no papel.
Lembro da minha mãe a andar e arrumar a casa, e do cheiro do café que lá era ainda mais gostoso. Minha mãe, que era muito mais feliz naqueles dias ensolarados no pesqueiro.
Lembro do sorriso pacífico do meu pai, e de sua seriedade. Lembro-me de montarmos quebra-cabeças complexos juntos, sem dizer nada. Apenas juntos. Somente pai e filha.
Esses dias me trazem lembranças de brincadeiras de crianças.
Das vizinhas com quem brincava, com quem dividia os dias ensolarados. De andar sob as árvores e sobre a terra, de andar de bicicleta, como se estivesse dominando o mundo. De admirar o pequeno paraíso que eram aqueles dias... De sentir que a vida ainda viria. Ainda começaria. Que ali, era somente um ensaio, apenas um sopro da grande aventura que se desenrolaria depois.
Esses dias ensolarados... quem dera patenteá-los e vendê-los em cápsulas, oferecendo a todos um pouco do sentimento simples da infância: tranquilidade, risos e brincadeiras, sossego da alma, despreocupação. Cápsulas do tempo que todos já desfrutamos, mas que parecem perdidos para sempre, em uma longínqua memória de outrora, dando a sensação de que nunca vivenciamos, ou que foi tudo imaginação.
Mas não foi, os dias ensolarados aconteceram para mim. Para você. Para nós. Para todos.   
Então, vamos rir como crianças de novo? Ir para um lugar onde o vento te faz carinho exatamente como já fez um dia? Talvez andar de bicicleta acreditando sinceramente que irá ganhar o mundo, agora, pela primeira vez? Ou andar descalço (a) na terra?
Os pais, se ainda os têm, aproveite para criar novos momentos. Para aqueles que não têm, guarde no coração as cápsulas dos seus dias ensolarados e deixe-se "ensolarar", muitas vezes, com elas.
O que realmente faz falta, nos dias ensolarados de hoje, são as esperanças e doçuras de dias passados, com a proporção que deveriam ter, hoje: a da maturidade de cada um,  porém, com a presença sagrada da infância e a ingenuidade de acreditar, pura e simplesmente, permitindo que a vida brilhe, em toda a sua plenitude, o sol maravilhoso que existe em nós.
Bons dias ensolarados e plenos para você!

Leia até o final, não é balela de autoajuda. É autopreservação

Você merece mais uma chance. Você precisa de mais de um amigo de verdade. Você não precisa de mais aborrecimentos do que já tem. Você...