domingo, 23 de setembro de 2018

Os 40 anos - A “Ilha da Fantasia”

Ter 40 anos é um pouco assustador. Não como uma montanha-russa; mais parecido com pular de paraquedas. Explico a seguir.

Os 40 te dão coragem para fazer coisas que nunca fez antes, mas também dão um medo de outras, praticamente inimagináveis. Seus gostos se aprofundam, se intensificam, e seus temores se engrandecem. Por isso, te digo: quando você realmente tem vontade de algo por inteiro, aproveita, porque talvez a vontade dos 40 seja mais esfomeada, embora seja um pouco mais reservada que as anteriores.

Ter 40 anos não significa já ter atingido o pico reluzente da montanha, ou desvendado o grande mistério da vida. Nem quer dizer que já estabilizou-se financeira e emocionalmente. Tampouco, que já sabe tudo – que tamanha empáfia e arrogância acreditar nisso!

Caramba, você pode estar com um nó impressionante de assuntos para resolver, mesmo à essa altura da estrada. Aí, pensa: ou vai, ou racha. Já não tenho mais 20 anos, com tempo de sobra para cometer erros, nem 30, imbuído de toda aquela certeza e presunção do “posso tudo que quiser.”   

Não. Não dá para relaxar aos 40, e tampouco para imaginar a vida pacata e mais estabilizada, segura e sem tropeços financeiros (ou amorosos). Acabou a ilusão, sem choro nem vela. Encare a realidade: você vai ter que se reinventar e se desdobrar, mesmo que os 40 sejam 2 x 20. Pois é! Ainda não dá pra relaxar, porque isso, meu caro, faremos quando morrermos. É hora de arregaçar as mangas. Que estão mais longas devido à idade avançada (não resisti, brincadeira, rsrs).

Enfim, “nessa idade”, as crises de consciência ainda acontecem, só que mais pesadas. Mais experientes! Ainda duvidamos sobre qual seja a definição mais apropriada de nós mesmos, ainda não temos certeza se a nossa comida preferida é massa ou japonesa, se queremos casa ou apartamento, se estamos felizes ou apenas acomodados, etc. Quem disse que as dúvidas e crises existenciais são privilégios dos adolescentes? Não sabemos, sobretudo, se sabemos bem o que estamos fazendo. É um paradoxo, não?

Então, que caia a máscara dos 40!

Podemos afirmar que, ao badalar dos 40, já acumulamos sorrisos para mil lembranças, lágrimas para rios intermináveis e experiências mais que válidas para algumas boas vidas. Assistimos a um desfile de pessoas incríveis ou decepcionantes, que perfilaram nossos dias (ainda bem que algumas não continuaram na passarela por onde as demais passaram; resolveram parar para assistir ao desfile, ao nosso lado). Já caímos e levantamos, e sacudimos a poeira, vezes incontáveis. Já gastamos nossa energia, esforço e dinheiro; perdemos a autoestima e a recuperamos; aprendemos a valorizar e desvalorizar e já pisamos e fomos pisados o tanto que sapatos podem aguentar. Já fomos adorados e esquecidos. Também já temos nossa cota de esquecimentos, assim como de enaltecimentos. Temos coleção de tudo: décadas, histórias e amigos (e inimigos?). O que mais desejamos acumular? De quê ou de quem devemos nos divorciar, nesta época de nossas vidas?

Ah, os tais 40... Uma coletânea de fitas em cassete, com um som pop-rock bem balanceado, de um jeito dançante, junto com uns CDs que a gente ama, que tocam somente em micro systems, vulgo aparelhos de som, eternamente, em nossos corações de vinil, onde “fazer amor de madrugada” era bem mais interessante do que descobrir “que tiro foi esse”.

Resumindo, acredito acho que temos muito o que fazer aos 40. Mais ainda do que antes, porque o antes já acabou e o futuro, não se sabe, nunca se viu. É uma ideia que criamos sobre estarmos felizes e realizados em vários aspectos, na “Ilha da Fantasia” da maturidade, nessa ilusão que um dia tivemos, mas que, hoje, por questões práticas, políticas e reais, deixou de existir.

Já ouviu falar da Ilha da Fantasia? Que bom, estou falando com alguém da minha idade (outra à qual não resisti, rsrsrs). 

Boa viagem aos 40! Porém, se já chegou lá, acomode-se e sente-se na janelinha, pois a jornada será emocionante e totalmente sem garantias financeiras e sentimentais!

E, claro, com discos de vinil como trilha sonora. Sem pendrives nem spotify. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Estou (sempre) de férias

Devíamos dizer que estamos em estado de espirito "férias", às vezes.
"Olá, tudo bem?"
"Eu vou bem, estou em férias, e você?"
Férias é uma palavra mágica que tem conotação de descanso, alegria, praia, sol, neve (?), viagens. Acordar tarde, fazer nada, não pensar em nada. Fazer o que quiser. E, claro, não trabalhar.
Então, por que seria tão especial tirar férias se não fosse apenas uma vez ao ano? Tem gente que nunca sai de férias. E aí, estas pessoas nunca saberão como é esse gostinho de liberdade tão doce quanto merecido?
Por isso, acho que devíamos sair de férias todos os dias. Sair por cinco minutos, dez minutos, antes do trabalho, depois, antes de dormir, não importa. Simplesmente, adotar um ambiente mental para onde possamos ir quando desejarmos. Não teria horário nem data marcada, como na passagem aérea, que determina exatamente o horário em que estaremos "off" - de férias.
O que, nem sempre, faz-nos sentir mais leves ou menos preocupados. Também tem isso - tem gente que sai de férias, mas não sai do trabalho, nem dos problemas. Nem das manias de habitantes de grandes cidades. A pessoa sabe que poderia relaxar, se sentir bem, mas está lá, achando que nada está bom, pensando coisas ruins, fazendo tudo igual, e querendo infernizar o mundo. Não desliga e não deixa os outros desligarem.
Se férias fosse um estado mental, poderia ser acessado a hora que quisermos. Sem check in nem check out, apenas uma pequena viagem instantânea dentro da mente e da alma. Uma imagem, uma lembrança, um livro, uma música. Férias. Instantâneas. Fresquinhas (ou quentinhas), sem custo nenhum, com direito a ir para onde quiser. Sorrir à toa. Andar descalço na terra. Sonhar com aquele projeto. Dar uma escapadinha para fazer uma massagem. Tomar um café ou ir ao shopping na hora do almoço. Ou fechar-se, como em uma meditação, e ir para outros estados de consciência.
E fazer prolongar aquela sensação, mesmo que seja complicado, em meio à tanta correria, lamúrias e farpas da vida, que nos rondam o tempo todo. Inclusive as nossas.
Em certos momentos, já é um tanto áspero conviver consigo, juntando-se aos outros, a coisa fica negra. Energia rubra.
Então adotemos esse estado de espírito maravilhoso e totalmente espiritual, nas nossas férias naturais.
Façamos dele um estado perene que nos lembre que a vida é um sopro para estarmos sempre em estado de stress, depressão, angústia e na defensiva.
Por que é tão difícil? Porque nos acostumamos ao que é ruim, de maneira fácil, pois o bom é sempre mais trabalhoso e de árdua construção. É mais automático reclamarmos, do que fazermos um elogio. Preste atenção: como anda o seu bom? Está aí ainda em seu potencial humano?
Sendo assim, é mais cômodo estarmos em stress do que em férias.
Façamos um exercício. Encontre as suas abençoadas férias. Insista, persevere. Invente-as, será delicioso! Chame o bom para si. A luz, a energia divina.
E, quando estiver preparado, de malas prontas, viaje! Mesmo sem sair do lugar, diga a si mesmo, "estou de férias". Viaje para aquele lugar paradisíaco, para aquele estado de serenidade e paz.
Para o "seu" lugar.
De férias, em um piscar de olhos e a uma batida do coração.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Anonimato?

Chega de anonimato. 
Chega de não ser visto, ouvido, comentado. 
Chega do anonimato do que você gosta, do que você quer, de quem você realmente é. 
Diga, pronuncie, com todas as letras, que você veio para ficar. Que você já tem lugar marcado, e não é nos bastidores. 
Grite, a plenos pulmões, o que você quer falar para todo mundo, o que você quer DECRETAR ao mundo. Decrete a sua felicidade, ninguém mais é responsável por ela, somente você. Chame a sua felicidade para perto, enlace-a, seja seu dono.
Faça barulho, chegue junto, não seja descartável para nada nem ninguém: você não é reciclável. É matéria bruta, é espírito forte, é fora de série. Você é perecível, mas somente na carne, seu espírito é infinito. 
Extraordinário, em sua ordinariedade. 
Peito aberto, no meio da tempestade. 
Seguro, em meio à contrariedade. 
Aventureiro feliz, com a vida que Deus lhe deu. 
Sincero como ninguém, vai à luta e nunca leva mágoa, é leal nos princípios e líder de si mesmo, por natureza.
Anonimato? Para quê, do que você tem vergonha ou porque iria se esconder?
O medo é um abismo de escuridão, por que você iria gostar da sua companhia? Sua presença é indesejada, abra a porta e expulse-o, agora.
Não tem lugar para sentimentos infrutíferos em você: suas cadeiras ficam vazias, a maior parte da sua plateia é do bem, te aplaude e te apoia. 
Anonimato, só se for para as coisas ruins. Esquecimentos necessários, fatos insensatos, emoções corrosivas. Se fica nas sombras, é porque não tem luz própria. 
Não dá mais para não assumir a sua verdade: chegou a hora de ser notado! 
De se esquivar do anonimato e ir para o abraço. E que seja um abraço intensamente gratificante! 
Pense bem, você merece estar sob os holofotes. 
De outra forma, não estaria aqui, driblando, glorificando e construindo esse milagre, chamado VIDA, como um verdadeiro e talentoso artista! 

domingo, 30 de abril de 2017

Qual sua emoticon de hoje?


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Tenho refletido muito. 
Tenho me perguntado muito, são tempos estranhos. Há algo desencaixado, não? 
Tenho me angustiado com questões filosóficas e pessoais. Transcendentais. 
Tenho me perguntado em que posso melhorar, o que posso realizar para me integrar, o que desejo verdadeiramente, e, finalmente, onde me posiciono hoje perante a minha vida: qual seria o status da minha vida? Se fosse um emoticon, qual deles seria?
O fato é que a definição, em si, não existe. Não há um estado de espírito cem por cento: feliz, triste, ansioso, calmo, abençoado, agradecido, animado, solitário, etc, como aqueles do facebook. Posso me sentir feliz em um momento, e completamente solitária, em outro. Posso estar no fundo do poço, mas ainda sentir-me grata. Ou estar momentaneamente animada, sem ter abandonado a tristeza por completo. Quem nunca se sentiu com raiva, ainda que sua alma fosse pacífica? 
Uma coleção de emoções, é isso que somos: criaturas com diversidade de sentimentos que criam suas filhas, as emoções. Criaturas errantes dentro de nós mesmos, somos totalmente "metamorfose ambulante", com certeza e muito bem dito por Raul Seixas. 
Somo um arco-íris de emoções. Tantas nuances, tantos tons e cores: fortes, suaves, impactantes, que acalmam, que transmitem energia, que provocam uma sensação de paz. Porém, é muito mais complexo, somos também um coquetel de misturas de origens antagônicas, similares, que se estranham e que se complementam. O resultado de nossas infâncias, com nossas maturidades, juntamente com todas as influências que recebemos. Estímulos e desestímulos. amores e desamores, desastres e vitórias, palavras e pensamentos. Ensaios de atitudes e atitudes tomadas que concretizaram fatos e acontecimentos (para o bom ou para o ruim).
Penso que naquele dia memorável em que respondo não a uma determinada pergunta, determinei uma parte de minha vida. Me lembro da maneira como fui tratada por certa pessoa, uma vez, que selou nossa amizade. Investigo, dentro de mim, os dias que me moldaram, qual a razão de certas tendências, o porquê de gostar e desgostar. De gostar do que pode não ser bom para mim e de desgostar do que pode ser muito útil e libertador. 
São tempos estranhos. Não encontro minhas definições, o tempo corre com a velocidade da luz enquanto fico parada, um eco de ontem e uma minuta de amanhã. 
Não entendo o que acontece no mundo hoje, desprezo essa ganância, essa mania de querer ser mais das pessoas em geral, a suposta perfeição de suas vidas. O vazio habita as redes sociais e os corações... não sinto espiritualidade nem amor, não sinto ressonância nem entendimento na contemporaneidade. 
Então, onde fico no meio disso? Qual emoticon me definiria agora? Qual seria mais fiel ao que sinto, nesse exato momento?
Não sei, preciso descobrir. 
Qual seria o seu? Quem sabe, uma carinha feliz? 
Mas se não for, sem problema, uma vez que não há um emoticon para o estado de espírito "indefinido" ou, simplesmente, "em descoberta". 
Acredito que "estranho" também não seja um dos perfis mais exibidos nas redes sociais, porém, é assim que nos sentimos, ocasionalmente, durante os caminhos percorridos, nessa longa estrada de sentimentos e emoções mescladas, em profusão. Nesse arco-íris metamórfico ambulante. Status: um estranho sentimental. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Você já ouviu o seu animal interno?

O que há por trás de uma incessante insatisfação?
Por que nos sentimos incomodados, chateados, inquietos, etc, aparentemente, por motivo algum?
Nesses casos, algo há. Não é natural nem é à toa, andarmos de mãos dadas com sentimentos diminutivos. Desgastantes, desencaixados. Sentimentos que, muitas vezes, nem conseguimos definir, dar-lhes nomes. É natural que eles venham, mas porque há motivos. E não podem ser ignorados. 
Existe, dentro de nós, um animal que deve ser alimentado. Um sonhador que deve ser munido de sonhos. Um solitário que precisa de atenção. Um aventureiro que clama por novidades. Um artista que só quer se expressar. Uma mulher determinada que quer mais. Um homem com medo de ser quem ele é. 
Existe, em nós, tanto de nós quanto de personagens diversos. 
Alimentar essas personas não é uma tarefa simples, nem assertiva. É complexa e repleta de labirintos. Quem de nós precisa de atenção nesse momento? Quem está aí dentro, enclausurado, batendo loucamente nas portas da nossa alma, reclamando suas necessidades? Será o animal, o aventureiro, o passivo-oprimido? 
Difícil detectar. Eles se mostram por indícios que podem nos confundir, e passar por outras sensações. 
Está com depressão sem saber o motivo? Pode ser um disfarce de uma das personas desesperadas para saírem, eclodirem em você de forma inescapável. 
Sente que não está inteiro em vários setores de sua vida? É provável que precise preencher e atender o desejo de uma (ou mais) de suas partes, entender de qual delas é a necessidade e entregar-se à esta descoberta. Assumí-la e completar a sua incompletude tão evidente. 
Tem sempre alguma delas buscando pelo seu alimento, arranhando a parede frágil que as protege. Estão falando sem parar para um público vazio, reclamando por serem atendidas... Estão em seus póros e em seu coração. 
Sim, elas todas são, unicamente, VOCÊ. Elas são a soma de todas as suas facetas, e consomem emoções como consumimos alimentos. Elas sentem e pulsam, e, logo, aparecem os sentimentos que as refletem.
Busque-as. Mergulhe em si mesmo, e nesse mar profundo de sua psiqué, encontrará as personas que estão longe de você. 
Ouça e perceba qual delas está mais submersa. Quando descobrir, incorpore o que é saudável e benéfico para ela. 
Qualquer que seja a sua natureza, ela apenas quer viver. Respirar e ser.
Da próxima vez que sentir-se estranho e deslocado, vasculhe atentamente: pode haver um animal rugindo, uma mulher destemida e pronta para tudo ou um louco varrido cheio de ideias para colocar em prática. Aproveite, use as qualidades de suas personalidades da melhor forma possível: ruja, aja, pratique o impraticável e tudo o mais que estiver inteiramente ao seu dispor.  

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Festival de sorrisos

No festival mais lindo de toda a história, havia centenas de sorrisos. Eles povoavam todo o espaço disponível e enchiam os olhos de todos os presentes. Eram tantos e tão diferentes que nunca se viu nada igual.

Eram de todos os tamanhos, cores e sentimentos, larguras e alturas diferentes. Sorrisos largos, curtos, abertos, fechados, completos, inteiros, escancarados, tímidos e devastadores. Eram sorrisos de homens e mulheres, carregados de emoção, mistério, charme, sedução, repletos de promessas indizíveis no recôncavo de suas diretrizes.

Alguns escondiam intenções que podíamos captar, como um convite para se entreter, entrar em seu universo e conhecer seus domínios escondidos, ou seus sonhos alardeados.

Outros, eram tão sinceros que não se podia ignorar, lábios e curvas para se adorar, com uma vasta carga elétrica do que precisar: aconchego, amizade, saudades ou pura empatia!

Sorrisos que sequer posso descrever, cuja aparição é um fenômeno à parte, de efeito bombástico, é um sorriso que não só se admira: ele te chama e te captura. Segura seu alvo em uma teia indescritível de beleza hipnótica, cuja visão é fatal, paixão avassaladora que não há igual, históricos de amor sem fim, desenhados especialmente para imobilizar, seduzir os corações: é o que faz o sorriso matador.

Outros dançam no festival esperando na escuridão, tímidos e contidos como uma emoção ainda não nascida, algo a se perscrutar, sem definição, e uma curva do lado que não sabe para onde vai, fica imóvel, um rascunho do sorriso pode se tornar.

Fico a divagar, sorrisos irmãos ao meu lado, todos representando fraternidade, e o mais sublime amor: desinteressado, afetuoso e livre, como um suspiro enlevado. São todos distintos e iguais, sem preconceito, amigos e felizes. Todos alegres, em curvas curtas e longas, bocas abertas e fechadas, pretos e brancos, mágicos e confiantes no futuro.

Não há do que duvidar: o festival de sorrisos é o melhor para se prestigiar, onde a alma acha o seu lugar, no qual cada sorriso acha o seu par e o mais reluzente é sempre aquele que encanta com seu charme natural e brilho espiritual, o sorriso mais poderoso que nos dá a energia vital.

Neste festival, é proibida a entrada de alguém que não seja sorridente: mesmo estando triste ou angustiado, o melhor é se fingir de contente, pois a cada sorriso que se dá com contrariedade, ganha-se uma dezena, com muita vontade.

Sendo assim, pode escolher, dentre todos do festival, o que mais lhe servir e for igual, aquele que contiver o seu apelo, desde o frio até o mais quente, mas se for o seu sorriso par, que seja ímpar, novo e magnífico, dentre todos. Que seja destinado a você, na imensidão de sorrisos universal, qualquer que seja sua preferência, que ele reflita toda a sua virtude, na beleza encantadora de sua essência!Festival de sorrisos

No festival mais lindo de toda a história, havia centenas de sorrisos. Eles povoavam todo o espaço disponível e enchiam os olhos de todos os presentes. Eram tantos e tão diferentes que nunca se viu nada igual.

Eram de todos os tamanhos, cores e sentimentos, larguras e alturas diferentes. Sorrisos largos, curtos, abertos, fechados, completos, inteiros, escancarados, tímidos e devastadores. Eram sorrisos de homens e mulheres, carregados de emoção, mistério, charme, sedução, repletos de promessas indizíveis no recôncavo de suas diretrizes.

Alguns escondiam intenções que podíamos captar, como um convite para se entreter, entrar em seu universo e conhecer seus domínios escondidos, ou seus sonhos alardeados.

Outros, eram tão sinceros que não se podia ignorar, lábios e curvas para se adorar, com uma vasta carga elétrica do que precisar: aconchego, amizade, saudades ou pura empatia!

Sorrisos que sequer posso descrever, cuja aparição é um fenômeno à parte, de efeito bombástico, é um sorriso que não só se admira: ele te chama e te captura. Segura seu alvo em uma teia indescritível de beleza hipnótica, cuja visão é fatal, paixão avassaladora que não há igual, históricos de amor sem fim, desenhados especialmente para imobilizar, seduzir os corações: é o que faz o sorriso matador.

Outros dançam no festival esperando na escuridão, tímidos e contidos como uma emoção ainda não nascida, algo a se perscrutar, sem definição, e uma curva do lado que não sabe para onde vai, fica imóvel, um rascunho do sorriso pode se tornar.

Fico a divagar, sorrisos irmãos ao meu lado, todos representando fraternidade, e o mais sublime amor: desinteressado, afetuoso e livre, como um suspiro enlevado. São todos distintos e iguais, sem preconceito, amigos e felizes. Todos alegres, em curvas curtas e longas, bocas abertas e fechadas, pretos e brancos, mágicos e confiantes no futuro.

Não há do que duvidar: o festival de sorrisos é o melhor para se prestigiar, onde a alma acha o seu lugar, no qual cada sorriso acha o seu par e o mais reluzente é sempre aquele que encanta com seu charme natural e brilho espiritual, o sorriso mais poderoso que nos dá a energia vital.

Neste festival, é proibida a entrada de alguém que não seja sorridente: mesmo estando triste ou angustiado, o melhor é se fingir de contente, pois a cada sorriso que se dá com contrariedade, ganha-se uma dezena, com muita vontade.

Sendo assim, pode escolher, dentre todos do festival, o que mais lhe servir e for igual, aquele que contiver o seu apelo, desde o frio até o mais quente, mas se for o seu sorriso par, que seja ímpar, novo e magnífico, dentre todos. Que seja destinado a você, na imensidão de sorrisos universal, qualquer que seja sua preferência, que ele reflita toda a sua virtude, na beleza encantadora de sua essência! 

sábado, 25 de junho de 2016

Indo embora de algo ou de alguém

Ir embora de algo ou alguém, é um dos atos de coragem mais difíceis de se realizar.
Quando estamos em determinada circunstância, ou situação, já enredados por ela, envolvidos, seja pelo lado bom ou ruim, ou nem por um ou outro, apenas pelos caminhos que nos levaram até lá, é muito doloroso abandoná-la. Somos completamente incapazes de pensar com clareza no que é melhor para nós, principalmente se este melhor, for ir embora.
As mãos não soltam, o coração não aceita, os pulmões não respiram. Temos a impressão de que nossa vida depende disso. Então, não conseguimos ir embora. Continuamos ali, respirando o ar viciado, apertando as mãos fortemente, nos dizendo que escolhemos aquilo e que devemos permanecer.
Ir embora implica em tanto, que preferimos não pensar. Implica em nos reinventarmos, em conhecer outros horizontes e outras complicações, em arriscar-se em uma escuridão que atribuímos ao desconhecido. Implica em ir até lugares internos que nunca visitamos. Ficamos com o conhecido e confortável de nós mesmos.
Ir embora é abandonar a zona de conforto. É, também, deixar o outro ir, seja algo ou alguém. É mudar de mundo, é encontrar outro mundo.
Por isso, é admirável quando alguém se vai. Desfaz o apego, põe os medos em xeque, arrisca um rumo que não conhece, e, na bagagem, uma colorida e desconhecida nova história, uma paleta de possibilidades, um mundo estranho, de língua estrangeira - estrangeira para aquele que não conhece outra língua, a não ser a do apego.
Falar outra língua é como se reprogramar (e estou falando da língua do coração), é acreditar que ir embora pode ser uma grande e inacreditável façanha, que trará a liberdade e a conquista que, somente indo embora, teríamos a possibilidade de experimentar. Ficando, jamais poderíamos conhecê-la.
Escolhemos não ir embora, ou ir. A maioria de nós escolhe ficar, porque é o que se espera. Porque pessoas sensatas não vão embora do que demoraram tanto para construir (relacionamento ou qualquer outra coisa). E isso as acorrenta. Ninguém é obrigado a nada, mas obriga-se. Infelizmente, ainda há muito que evoluir nesse conceito. Quem escolhe ir, é o diferente e excêntrico, talvez até, egoísta, para muitos. Porém, quem tem visão, enxergará um espírito livre e desprendido, que já se deu o suficiente, que já fez o suficiente, já esteve ali por tempo demais. Naturalmente, seu desejo é conhecer fronteiras inéditas. E assim, o faz. Não é nada fácil, exige maturidade e muita segurança em seu propósito para combater as forças que lhe dizem para ficar.
Quer ir embora de algo ou alguém? Então, comece. Prepare-se psicologicamente, e comece a empacotar. Doloroso e angustiante? Claro, mas somente encerrando ciclos é que poderemos iniciar outros, e criar novos enredos e relações que nos tornarão pessoas mais completas, almas mais sábias, e, seguramente, desbravadores de nós mesmos.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Cada dia mais. E o que o mais tem feito por você?

A cada dia, é preciso sermos mais fortes. Mais poderosos.
É esperado que sejamos mais competentes. Mais eficazes, maravilhosos, destemidos, incríveis seres humanos com habilidades extra-sensoriais.
A cada dia, é exigido mais potência de nossos motores. Somos puxados a arar quilômetros de terras e distâncias sem fim.
Fraquejar? Que nada, estamos prontos, sempre. O desafio é como o ferro que corre em nossas correntes sanguíneas. Não poderia estar mais entranhado em nossa constituição.
Esperam que sejamos onipotentes, que nossos sentidos sejam ampliados e que nossas respostas sejam completas e resolutivas para todo e qualquer problema. Que sejamos solucionadores de enigmas de toda espécie.
Forçam-nos a sermos os melhores. Os melhores pais, filhos, maridos, mulheres, empresários, cidadãos. Exemplos! Lindos, bem-sucedidos, saudáveis, esportistas, inteligentes, viajados, poliglotas, acumuladores de bens, tão felizes que seria impossível duvidar que nossas vidas não poderiam facilmente ser retratadas na revista Caras. Bem, certamente, nas mídias sociais, somos todos, vencedores.
A cada dia, mais nos enfronhamos na tecnologia, nos diversos e simultâneos canais de comunicação e de projeção social possíveis, mais em nossos egos inesgotáveis e carentes de atenção.
Nos afundamos em dívidas, tanto financeiras quanto emocionais, para conosco e com os outros.
A cada dia, projetamos mais e sentimos menos. As aparências e as habilidades estão super valorizadas, estigmatizadas. Alguém te pergunta, o que você sente? Garanto que não. As pessoas te perguntam, provavelmente, qual é o seu cargo e profissão. "O que você faz?" O que você faz não é o que você é. Você tem uma profissão, um trabalho, mas isso não te define. Você define o que faz.
Cada vez mais, somos convidados a ser artificiais. A lutar com unhas e dentes por aparências e estigmas sociais.
Em contrapartida, não há reconhecimento àquele que vive sua vida anonimamente, sem acontecimentos significativos. Àquele que não fala de seus grandes feitos; apenas vive de maneira pacífica, simples e sem artifícios. Seu rosto pode nem existir nas redes sociais. 
Ele pode ser um herói do dia-a-dia, simplesmente por sobreviver, por ganhar o pão de cada dia, sustentar a família, talvez, até, combater uma doença. Não tem MBA, carro do ano, nem o corpo dos deuses. Mas tem conhecimento sobre si mesmo. Sabedoria para lidar com as agruras que encara, paciência para aturar as desventuras.
A cada dia mais, o menos deve ser respeitado. Cultivado. Menos aparências e superficialidades. Menos desejo de agradar a todos. Menos sucesso material para ostentar, menos pressão para ser o melhor, menos egocentrismo.
A cada dia, um pouco menos para vivenciar o mais de cada um, de cada sentimento, de cada conquista. Várias partes de menos farão um "mais feliz" de verdade, e não apenas, uma caricatura da felicidade oca. 
Sejamos menos super-humanos para sermos, apenas, humanos em crescimento.
O que há de mal nisso? Nada, apenas... menos.

sábado, 30 de abril de 2016

Filme? Só se for o da sua vida

Você já assistiu a muitos filmes, sei disso. De vários gêneros. 
Mas, a quantas anda, o filme da sua vida? Tem sido um drama, romance ou apenas documentário? Talvez uma comédia dramática, romance piegas... Suspense eletrizante? Thriller enervante... 
Tem também aqueles inter-gêneros: romance picante (50 tons?), comédia pastelão, terror psicológico. 
De toda forma, você escolhe o filme que deseja assistir, se entreter. O que você nem sempre escolhe é o gênero de sua vida. Frequentemente, deixa de ter o controle sobre que tipo de drama está passando, de qual comédia está rindo (sua, ou da alheia?) e já não sabe mais se seu relacionamento é um romance ou suspense (daquele tipo que dá nos nervos, mas que você não consegue parar de ver). 
Se for um romance romântico, melhor para você. Daqueles que te deixa nas nuvens, te faz murmurar dormindo e acordado. Contudo, se for um romance-tragédia, talvez você experimente um grande e tenebroso final infeliz. 
Saberá o tamanho do drama se for de chorar, mesmo, ou ainda, de inspirar compaixão nos outros, ou de acordo com a emoção das cenas em desenvolvimento. Está com vontade de sumir só porque não conseguiu o que queria no seu próprio reality show? Ou, porque a sua história, no meio do filmagem, dá uma empacada imprevista e nada agradável? 
Então, este momento é o momento do terror. É hora de fugir do trauma e matar o vilão. Seja ele um amor mal resolvido, um emprego que não desce, uma situação intragável; um vilão dos piores. Além disso, é preciso eliminar as personagens que não engrandecem a história, que desacreditam o personagem principal, bem como estragam todo o enredo com falas e atitudes ensaiadas, e pouco dignas. Esses são os vilões rasteiros, coadjuvantes desnecessários. 
Deu medo? Suspense, frio na barriga. Quase não consegue respirar... Sei como é. Você supera, desde que trabalhe com poderosos dublês neste filme que também é de ação: malabarismos cheios de energia, manobras com muita esperança, alegria em todas as tomadas, vontade de melhorar o enredo, paixão pela vida a se desenrolar na tela adiante. 
Por isso, o seu gênero de filme, pouco importa. Mas o seu gênero de vida, este não pode ser ignorado. Este filme não tem reprise. Ele está em "câmera, ação", desde o dia em que você nasceu.


sábado, 29 de agosto de 2015

Poderia ser diferente...

Poderia ser diferente. Poderia haver mais tranquilidade, estabilidade e paz de espírito em nosso cotidiano. Poderíamos estar mais realizados, mais bem preparados, estudados, grandes conquistadores de bens materiais e de sonhos, que ainda não atingimos, ou adquirimos. 
Poderíamos não ter sofrido tanto, perdido tanto, amado tanto pessoas que não estão mais aqui, neste plano, ou em nossas vidas. 
Poderia ter dado certo o que almejamos com a ardência de nossas ansiedades, sobre o que fizemos planos, estimamos, cuidamos. Mas não. Nem tudo aconteceu, ou melhor, outros acontecimentos nos atropelaram no meio dos caminhos dos nossos sonhos. 
Poderia ser diferente, mas não é. O que se tem é o real, palpável, certo. Os problemas estão aí, cutucando; as feridas, ainda ardem, e as postergações do que desejamos realizar, permanecem. 
Mas te digo uma coisa: viva como se sua vida já fosse tudo aquilo que sempre desejou; faça cada dia um pouco, e o pouco se tornará muito. Sorria, mesmo querendo chorar. E grite, quando não mais aguentar. 
E nunca, mas nunca mesmo, desanime de vez. Um pouquinho só, de vez em quando. E então, esqueça do que há de ruim e problemático, fazendo o que melhor sabe fazer: continuando a viver, de cabeça erguida e coração limpo. 

domingo, 3 de maio de 2015

Leia até o final, não é balela de autoajuda. É autopreservação

Você merece mais uma chance.
Você precisa de mais de um amigo de verdade.
Você não precisa de mais aborrecimentos do que já tem.
Você pode fazer o que quiser.
Você tem o poder de fazer acontecer.
Você almeja uma vida de sonhos.
Você é melhor do que pensa ser, é maior do que supõe, é divino em sua totalidade, só não sabe disso ainda.

Gostou de ouvir tudo isso? Ótimo, mas a verdade pode não ser tão plana assim.

Você merece mais uma chance. Sim, mas não se iluda. Nem sempre você terá mais de uma. Agarre-a e segure-a assim que ela apontar no horizonte.
Você precisa de mais de um amigo de verdade. Seria o melhor dos mundos ter mais amigos do que familiares, porém, a vida pode ter te dado um ou nenhum amigo. Por isso, seja o melhor ser humano que puder ser, então terá grandes chances de inspirar os outros a serem seus amigos.
Você não precisa de mais aborrecimentos do que já tem, mas eles virão aos montes, te assombrar, te aporrinhar, te provar. Não hesite, dê-lhes um golpe só. Não dramatize nem faça-os maiores. Outros virão, alguns grandes, outros pequenos; dê atenção somente aos que colocarem a sua vida em risco. O resto, mate no ninho.
Você pode fazer o que quiser. Em parte... Dentro das limitações que a vida impõe. Não adianta querer abraçar o mundo, ele não será seu por completo. Concentre-se nos poderes e motivações que estão ao seu alcance. Fora disso, não viaje, pois a queda será ainda mais dolorida.
Você tem o poder de fazer acontecer. De fato, você tem o poder de fazer acontecer, tanto para o bem, quanto para o mal. A afirmação "cuidado com o que deseja" é realmente verdadeira. Você projetará o objeto de seu querer, e provocará reações no universo, nas energias que se condensam em forma de pensamentos, acontecimentos. Cuidado, não provoque o universo projetando coisas que lhe são indesejáveis, ou que você não entende. Saiba o que quer, antes de decretar ao universo. Depois, não reclame se não receber o que queria...
Você almeja uma vida de sonhos? Incrível, fantástico e mágico, se puder colocá-los em prática. Poupe, faça sacrifícios, sofra um pouco, pois sonhos não caem do céu. Garanto, a recompensa será maravilhosa.
Com relação a ser melhor do que pensa ser, maior do que supõe e divino em sua totalidade, o que você acha? Sim, simplesmente sim. Saiba deste fato, tome-o como seu, incorpore-o. E faça por merecer!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um estranho na própria pele?

Nada mais te surpreende?
Tudo parece desconexo?
O coração não bate forte por mais nada, ninguém?
O mundo é um lugar inóspito e estranho?
Acontecimentos alheios não são o que você desejava, imaginava ou gostaria? Ou não são compatíveis com os seus objetivos?
A vida te trouxe alguma grande decepção, tristeza, perda nada bem-vinda?
Sim, pois você é humano (a). Mas, acima de tudo, é um espírito que está se moldando, sofrendo, querendo, esperando. Está aqui, portanto, faz parte não gostar de muitos fatos e momentos, nem se sentir bem em sua pele, ou neste plano.
Porque tudo é passageiro, efêmero. E você, não, você é eterno, luz divina, pedaço dos céus, emprestado por um tempo...
Tem coisas ruins acontecendo fora ou dentro de seu íntimo?
Infelizmente sim; faz parte, enquanto estiver longe de sua verdadeira casa. Aguente firme, que as pausas boas virão, em meio à sua jornada.

Enquanto isso, em sua estadia por aqui, desejo que seja feliz, com o que tem e com o que é. Com o seu real, admirável e corajoso... espírito. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

40 anos, a idade da águia

Para mim, os 40 anos representam a idade da águia. Renovar-se dolorosamente pode trazer uma emoção transformadora, de libertação espiritual sem precedentes. Por isso, esse animal belíssimo e inspirador pode ser uma metáfora mais que apropriada para ilustrar este momento na vida da mulher. Perder o seu bico, unhas e trocar as penas, para alçar um voo único e de renascimento total.

Quantas vezes já não destruímos nossos bicos ao dizer coisas que não queríamos, cometendo erros crassos, ou, ainda pior, destruímos nossa força de comunicação não dizendo, apenas aceitando a palavra que nos foi dita, a atitude do outro e a expressão do mundo ao nosso redor? Inúmeras vezes nossas unhas também nos foram arrancadas pela vida, e tivemos que inventar outros meios de agarrarmos o que quer que fosse, felicidade, respeito, equilíbrio, sabedoria, amizade. E quantas penas não arrancamos de nós mesmas como ervas daninhas, erradicando do peito emoções maléficas, sentimentos angustiantes ou repressores; rancores, amores, dores. Todas nós já nos transformamos, e não apenas uma vez. Ainda assim, nesta idade, nesta época em que o espírito está maduro, pronto e absolutamente jovem (sim, como não?) para alçar um novo voo, estonteante e arrebatador, após toda a dor e experiência que vivenciou, o instinto é mais forte do que qualquer outro. Nunca haverá novamente o mesmo desejo incontrolável de voar com um novo eu: bico, unhas e penas completamente renovados, coração e alma plenos de uma insaciável coragem e bravura de viver novamente, ainda e sempre. Se você chegou aos 40, parabéns, sua transformação já começou. 

O outro lado da águia, depois da transformação

A mulher de 40 é aquela que já não aceita mais ir além de seus limites. Ao mesmo tempo, ela os expande, se lhe seduzirem propriamente. Se derem uma amostra de que podem valer a pena. Já aqueles limites necessários para o seu bem-estar, que antes ela considerava desrespeitar, não o faz mais. Não, ela não tem mais essa elasticidade... ela tem a elasticidade do viver bem. De se respeitar, doe a quem doer, de fazer as coisas que lhe trazem bem. Porque ela carrega as cicatrizes dos limites ultrapassados, das decepções engavetadas, dos sorrisos falsos de amizades
quebradas, e dos amores amargos com gosto de partida.

Essa mulher é como um café forte, encorpado: tem um gosto inigualável, que pode viciar. Tanto o seu sabor quanto a sua textura estão no ponto certo, deixam um rastro gostoso na boca, e, assim como a deliciosa bebida, quando fica pronta, torna-se irresistível, e todos querem um pouco, invariavelmente.  

Contudo, há também um lado obscuro e nunca revelado, sobre quantos esqueletos uma mulher madura pode guardar no armário. Uma de 40 tem esqueletos dos vinte e dos trinta. Especialmente dos 30, pois, quanto mais jovem somos, menos guardamos coisas, menos acumulamos mágoas, sofrimentos ou tralhas... Com o passar do tempo, nossos armários ficam cheios, se não prestarmos atenção. Os esqueletos nos assombram. Então, chegam os 40 e retrocedemos: queremos os vinte de volta e desejamos ardentemente tirar os esqueletos do armário. Ansiamos por novidades que tragam, literalmente, boas novas. Nada de mimar tristezas que já se foram, dar a mão ao que nos deprimia, tomar como nossas as dores e lamúrias de outros (ainda que queridos), ou de se corroer com pequenas coisas. Nada de elaborar neuras, de querer de volta quem já se foi (vivo ou morto), de reclamar do passado, do porquê e como foi daquele jeito, e tampouco, de ser menos feliz.

Não temos tempo, precisamos ser felizes aos 40. Agora, seja com estrias, celulites, algumas rugas, talvez certos tratamentos de saúde e uma considerável bagagem de momentos vividos, bons e ruins. Mas... com a vitalidade e frescor da adolescência, acrescidos da garra de uma loba conquistadora que deseja e irá realizar um milhão de desejos.

Um brinde aos 40! E um voo rasante, emocionante, de tirar o fôlego para você!


                                                   "Águia a voar": FundosAnimais.com.


domingo, 14 de dezembro de 2014

Não tenho espaço

Não tenho mais espaço... Para ouvir músicas das quais não gosto. Para seguir caminhos que não me atraem. Para executar atividades indesejáveis, que já fui obrigada a executar.  Para criar laços frágeis que não irão durar. Para ser quem não quero ser.

Já não tenho mais espaço para reclamações infundadas, fúteis ou tolas. Para pessoas que não se valorizam, que não sabem o que tem de precioso em suas mãos e passam a vida murmurando discursos derrotistas.

Não tenho mais espaço nem tempo a perder, preocupando-me com o que as pessoas pensam, sentem e falam ao meu respeito. Elas continuarão a falar, julgar e rotular, independentemente do que eu sinta. Só quero o respeito alheio. Por este, brigo com unhas e dentes.

Não tenho mais espaço para armazenar questões mal resolvidas, discussões sem solução, lágrimas que ficaram para trás. Quero, sim, seguir em frente com as questões bem resolvidas, discutir e brigar por aquilo que tiver valor, e chorar pelo momento, e não pelo que já passou.

Não tenho mais espaço para mastigar rusgas de amizades, aceitar infantilidades de outros, muito menos de ficar perto de quem não saiba, verdadeiramente, qual é o sentido da amizade.

Não tenho mais espaço para justificar minhas próprias ações a quem não as entenda, perdendo a voz tentando alcançar o outro. Também não quero perder a voz sendo eu mesma. Aqueles que tiverem o coração aberto, hão de me escutar.

Não tenho mais espaço para inventar talentos que não possuo, mascarar ações que não fazem parte de mim, ou me virar em três para, simplesmente, contentar alguém inalcançável.

Não tenho mais espaço para ser a psicóloga do mundo. Não quero entendê-lo, fazê-lo meu algoz, ou, tampouco, um lugar infernal de emoções controladoras. O espaço que tenho é para ser uma contempladora e viajante dele, enfeitando-o com meus talentos, contribuindo com fraternidade e amor incondicionais.  

Não tenho mais espaço para ir a lugares que não me acrescentarão, participar de conversas que não dizem nada, estudar assuntos que nunca vou acessar, absorver ou utilizar.

Não tenho mais espaço para o descartável, efêmero, superficial, monótono, soberbo, arrogante.

Não tenho mais espaço para acumular conceitos e atitudes infundadas ou impostas impiedosamente, em meus espaços já ocupados pelos meus belos sonhos, ensinamentos úteis e preferências pessoais.  

Por fim, todos os meus espaços são destinados ao melhor de TUDO, ao TODO sensacional, ao show diário da vida, à ilimitada fonte de recursos divinos que todos temos bem ao nosso alcance: amor, amizade, otimismo, beleza, perseverança, alegria, força, resiliência e tantos outros, que você sabe bem quais são.

E quanto a você, está ficando sem espaço também? Vamos lá, não é tão difícil assim: pare, pense, remova e reorganize os seus espaços. Fique com folgas agradáveis, deixe o ar entrar, e seja mais feliz, mais inteiro e solto, com todos os espaços que forem interessantes, saudáveis e eficazes para sua vida ficar realmente... espaçosa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Mulheres maduras: Relacionamento-novidade

Não há nada melhor do que uma novidade. Uma novidade fresca, linda, jovem, e com um futuro promissor.
Uma novidade que se espalha, se deleita, que brilha os olhos da gente.
Adoramos o barulho do papel de presente, arrebentar a fita e abrir logo para saber a novidade que tem nele. Abrir o presente, e com ele, a maravilhosa surpresa que está prestes a ser nossa.
Pois bem, relacionamento também deveria ser assim. Deveria trazer o frescor de uma novidade, ser cheiroso como um perfume novo, cheio de brilho como uma joia nova que encanta.
O relacionamento é uma novidade que se tornou usada. Ficou um pouco gasta, o brilho está opaco, o aroma, um pouco fraco.
Mas aquele delicioso sabor de novidade também temperou este amor, também fez o coração pulsar como um presente incrível, nos fez felizes demais, repletas de esperança, júbilo e alegria, como uma linda e charmosa novidade. Um dia, também abrimos nosso relacionamento como um presente, arrancando a fita colorida e exuberante, para descobrir que o que existia dentro da caixa era ainda melhor do que podíamos imaginar.
Então, a novidade começou, continuou e acabou. Tornou-se rotina, cotidiano, normal, ficou jogada de lado e perdeu suas propriedades maravilhosas e rejuvenescedoras. 
Ok, não é o fim do mundo. É perfeitamente possível ressuscitar a novidade. É um esforço mais que válido. É a cartada estratégica.  
Pegue o seu relacionamento, coloque-o em uma caixa enorme e absurdamente enfeitada, e deixo-o lá dentro. Retoque o perfume dele, coloque-o em roupas novas, faça peripécias com ele. Com o seu relacionamento e com o seu amado!! 
A novidade está na cabeça e no coração. Está no carinho dado, que sempre é novidade. Está no riso e no companheirismo, na paixão e na vontade. 
Qualquer coisa pode ser novidade, mas um relacionamento jamais será qualquer coisa. É muito mais que novidade, é permanência, compromisso, troca e cumplicidade. É a vida da gente.
Quer novidade? Compre um presente para lá de lindo e festivo para você.
Mas nunca, nunca mesmo, abandone o seu verdadeiro presente, que é ter o relacionamento pelo qual você lutou e que, acima de tudo, merece!
Entendeu o truque do relacionamento-novidade? Então agora corre comprar o seu presente-novidade! 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Esses dias ensolarados

Esses dias ensolarados me trazem doces lembranças de infância.
Fazem-me lembrar dos meus dias no pesqueiro que tínhamos, do cheiro do mato e do barulho do rio no fundo. Esses dias ensolarados eram a moldura daquela época.
Lembro-me do silêncio inigualável daquele lugar, do vento calmo atravessando a propriedade, dos pés de bananeira, de laranja e de goiaba.
Lembro da rede que colocávamos entre árvores no meio da sombra que elas proporcionavam. A vida era fácil e fluída, e o sol permeava entre as folhas, tão jovem, inocente e cálido, assim como eu.
Eu me lembro de meu pai calçando sandálias de couro e usando chapéu de palha, sempre trabalhando em algo, inventando alguma coisa, naquele lugar que ele amava, dois terrenos em um, uma casa enorme, bem arejada. Tínhamos cachorros que eram tesouros que pertenciam àquele lugar. Eles comemoravam nossa chegada; eram filhos de todos que ali permaneciam, moradores ou visitantes. Dotados de amor incondicional... No pesqueiro, naqueles dias ensolarados... nosso pequeno mundo.
Lembro das tranças que usava. Das esperanças de coração de criança: ir bem na escola, conseguir agradar à minha mãe, ser mimada pelas minhas irmãs. Quem sabe um dia ser aeromoça, ou melhor ainda: escritora. Sonhos de viajar o mundo, fosse no ar, ou fosse no papel.
Lembro da minha mãe a andar e arrumar a casa, e do cheiro do café que lá era ainda mais gostoso. Minha mãe, que era muito mais feliz naqueles dias ensolarados no pesqueiro.
Lembro do sorriso pacífico do meu pai, e de sua seriedade. Lembro-me de montarmos quebra-cabeças complexos juntos, sem dizer nada. Apenas juntos. Somente pai e filha.
Esses dias me trazem lembranças de brincadeiras de crianças.
Das vizinhas com quem brincava, com quem dividia os dias ensolarados. De andar sob as árvores e sobre a terra, de andar de bicicleta, como se estivesse dominando o mundo. De admirar o pequeno paraíso que eram aqueles dias... De sentir que a vida ainda viria. Ainda começaria. Que ali, era somente um ensaio, apenas um sopro da grande aventura que se desenrolaria depois.
Esses dias ensolarados... quem dera patenteá-los e vendê-los em cápsulas, oferecendo a todos um pouco do sentimento simples da infância: tranquilidade, risos e brincadeiras, sossego da alma, despreocupação. Cápsulas do tempo que todos já desfrutamos, mas que parecem perdidos para sempre, em uma longínqua memória de outrora, dando a sensação de que nunca vivenciamos, ou que foi tudo imaginação.
Mas não foi, os dias ensolarados aconteceram para mim. Para você. Para nós. Para todos.   
Então, vamos rir como crianças de novo? Ir para um lugar onde o vento te faz carinho exatamente como já fez um dia? Talvez andar de bicicleta acreditando sinceramente que irá ganhar o mundo, agora, pela primeira vez? Ou andar descalço (a) na terra?
Os pais, se ainda os têm, aproveite para criar novos momentos. Para aqueles que não têm, guarde no coração as cápsulas dos seus dias ensolarados e deixe-se "ensolarar", muitas vezes, com elas.
O que realmente faz falta, nos dias ensolarados de hoje, são as esperanças e doçuras de dias passados, com a proporção que deveriam ter, hoje: a da maturidade de cada um,  porém, com a presença sagrada da infância e a ingenuidade de acreditar, pura e simplesmente, permitindo que a vida brilhe, em toda a sua plenitude, o sol maravilhoso que existe em nós.
Bons dias ensolarados e plenos para você!

domingo, 13 de julho de 2014

Sentimento a descarrilhar

Aventura a descarrilhar,
sonhos a explodir,
emoções a dançar,
causas a conquistar,
dores a rasgar,
flores a desabrochar,
amores a sucumbir,
ruídos a galopar,
conversas não tidas a proliferar?
Agora é a hora
da aventura a descarrilhar a sua vontade de brincar!
Que os sonhos explodam em emoções multicoloridas os seus encantos sem medida,
E que essas emoções dancem sem parar, esfuziando quem as dançar,
desabrochando flores em seu altar, sem medo de arriscar,
e pelas suas causas impossíveis, lutar, até não poder mais.
Que as dores rasguem-se, escancarem-se, indo embora com os temores ofuscantes.
Assim, os amores poderão triunfar, sucumbindo à sua ânsia de amar.
Que os ruídos que nos impedem de pensar, galopem para longe,
deixem nossas mentes limpas, para que as conversas não tidas, sejam bem sucedidas.
Qualquer que seja o preço, de libertar o desejo, o ímpeto de superar
o mínimo de ruim que restar...
Manifestar, sair, expurgar, tudo o que mais machucar.
E simplesmente descarrilhar
o verdadeiro, real e destemido...

SENTIMENTO.  

Leia até o final, não é balela de autoajuda. É autopreservação

Você merece mais uma chance. Você precisa de mais de um amigo de verdade. Você não precisa de mais aborrecimentos do que já tem. Você...